O papel das drogas na História: Dominação e alienação

O aumento do consumo do crack e de outras drogas mais pesadas
tem intensificado a discussão sobre os malefícios causados à sociedade pelo uso
de substâncias entorpecentes. No entanto, pouca atenção tem se dado ao papel
desempenhado pelas mesmas durante a história da humanidade, numa relação direta
entre dominação, alienação e consumo de narcóticos.
De fato vários povos tinham no consumo de substâncias
entorpecentes um elemento de sua própria cultura, mas além destes não possuírem
condições para tratar a questão de uma maneira científica, o uso dessas
substâncias era controlado, esporádico e submetido a determinados rituais, não
era uma “epidemia social”. Essa situação mudou com o contato estabelecido entre
os europeus e os povos da América e da Ásia.
Na luta pelo domínio do continente americano (séc. XV até
XIX), os conquistadores europeus introduziram o consumo da cachaça entre os
nativos, estimulando o vício como um meio para enfraquecê-los. O imperialismo
inglês, diante da resistência da China ao domínio ocidental, estimulou o consumo
de ópio (droga extraída de uma planta chamada papoula) entre os chineses,
chegando a guerrear contra o governo desse país por causa da proibição do
comércio da droga, o que levou os chineses a maior vergonha de toda a sua
milenar história.
Atualmente as drogas são vistas como um meio de libertação
intelectual, rebeldia ou até uma simples maneira de esquecer os problemas. Essa
forma de encarar o consumo de entorpecentes ganhou força na década de 60. O
“sexo, drogas e rock and roll” foi a resposta de uma geração oprimida e que não
tendo sucesso em conseguir a liberdade do corpo, acharam que estavam garantindo
pelo menos a liberdade da mente. Puro engano, mente e corpo precisam trabalhar
em sintonia, saudáveis, voltados para resolver os problemas, não para
esquecê-los temporariamente. Ao utilizar as drogas para fugir de uma situação a
pessoa está apenas acabando com qualquer possibilidade de resolvê-la, como
demonstram os massacres citados acima.
Atualmente, o tráfico de drogas é uma arma eficaz de
enriquecimento e sustentação do próprio sistema, no qual muitos acreditam estar
indo contra (de acordo com a própria ONU, alguns bancos só se salvaram durante a
última crise econômica mundial por causa do dinheiro gerado pelo narcotráfico).
Além disso, o povo que mais necessita lutar por seus direitos se tornou refém de
uma cultura que endeusa as drogas como maneira de fugir do desespero (financeiro
e/ou intelectual), quando na verdade a única solução é lutar contra a própria
situação desesperadora (incluindo a destruição da capacidade do nosso povo
através das drogas).